domingo, 28 de agosto de 2011

Insegurança alimentar e sustentabilidade no Brasil e no Mundo


Insegurança alimentar e sustentabilidade no Brasil e no Mundo

O número de pessoas que passam fome no mundo chegará neste ano ao recorde histórico de 1 bilhão, segundo a projeção mais atualizada da FAO, o braço da ONU para a agricultura e alimentação.  A situação, que a organização descreve como "uma combinação perigosa de desaceleração econômica e preços de alimentos que insistem em se manter alto em muitos países", deve fazer com que 100 milhões de pessoas sejam empurradas para baixo da linha da pobreza. "Embora importante progresso tenha sido obtido para reduzir a fome crônica na década de 1980 e na primeira metade de 1990, a fome aumentou na última década", diz a organização.
Por segurança alimentar e nutricional, entende-se, em linhas gerais, o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais; já as situações de insegurança alimentar e nutricional estão relacionadas à fome, obesidade, doenças associadas à má alimentação e consumo de alimentos de qualidade duvidosa ou prejudicial à saúde.
O bom resultado apareceu na pesquisa Escala Brasileira de Insegurança Alimentar de 2009, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que avaliou a percepção da população brasileira sobre a sua própria condição. Quase 70% das famílias responderam que se sentem em segurança alimentar. Apesar de pouco mais de 30% se considerarem em situação de insegurança alimentar, somente 5% afirmou que essa insegurança era grave, estágio que compreende a fome e a desnutrição.
Um dado interessante são os dados antropométricos da população muito mais objetivos, que também são positivos. Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde feita pelo Ministério da Saúde em 2006 apontou que 1,8% das crianças com menos de 5 anos estava abaixo do peso para a idade. Em 1989, este número era de 4,4%.
Dados revelam que as pessoas acessam os alimentos de duas maneiras: comprando ou produzindo. A dificuldade de acesso pela compra tem a ver com a renda. A dificuldade de acesso aos alimentos pela produção própria diz respeito ao contingente enorme de famílias rurais – onde se encontra os indicadores de fome mais elevados – que sequer conseguem produzir o seu próprio alimento.
Apesar de haver uma demanda crescente por alimentos no mundo, há outras questões que explicam a persistência do tema da fome. A produção de biocombustíveis é uma. O fato de os americanos usarem 10% da produção mundial de milho para fazer etanol impacta, fortemente na disponibilidade de milho, inflando o preço da commodity no mercado mundial.
O álcool brasileiro, por exemplo, não sofre do mesmo problema, pois não desvia um alimento diretamente para a produção de combustíveis. Muito se fala em sustentabilidade gerada pela produção de biodiesel, que traria facilidades a regiões onde há solos desgastados e ou impossibilidade de desenvolver culturas de grãos voltados à produção de alimentos. Deste bojo surgem  a mamona, o girassol, o milho até mesmo a soja como soluções para geração de renda no campo, o problema surge se as políticas levarem os agricultores a substituir hectare plantado destinado à produção de alimentos por outras formas mais rentáveis de culturas voltadas a produção de combustíveis, caso dos americanos. É necessário de fato que políticas beneficiem a agricultura familiar, as pequenas propriedades, o acesso a terra, assim como projetos de acompanhem e levem desenvolvimento e acompanhamento técnico a produção sustentável em pequena escala e em escala regional.
É mister que o ser humano acharia soluções para mover os motores e impulsionar turbinas, mas teria sérios problemas para preencher prateleiras e barrigas vazias.  
O sistema de forma geral se preocupa com combustíveis que aceleram o modelo de produção capitalista, no entanto se esquecem dos milhões de cidadãos que passam fome pelo mundo. O Brasil apesar de pioneiro na produção do etanol não consegue ainda solucionar de forma eficaz a fome que assola milhares de brasileiros.

Bibliografia:

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