domingo, 28 de agosto de 2011
Insegurança alimentar e sustentabilidade no Brasil e no Mundo
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Insegurança Alimentar
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Territórios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local
Territórios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local
Como foram criados os Territórios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local - CONSAD?
O território brasileiro é bastante desigual, tendo regiões muito ricas enquanto outras são bastante pobres. Mostra disso foi uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), de 2003, que apontou municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em todos os estados brasileiros.
Com esse mapeamento, o MDS passou a construir institucionalidades capazes de mediar conflitos e agregar esforços para reorganizar esses territórios visando à inclusão social. Assim foram criados os Territórios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local (CONSADO), formados por consórcios de municípios.
Há no Brasil 40 territórios, com 585 municípios e uma população de mais de 11 milhões de habitantes.
Qual o objetivo desses territórios?
O objetivo desses territórios é fortalecer e ampliar as ações de segurança alimentar e desenvolvimento local.
Quais as ações do MDS são voltadas a esses territórios?
Na agricultura familiar, o MDS apóia a construção de unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), uma nova alternativa de trabalho que possibilita o cultivo de produtos mais saudáveis para consumo e comercialização. Por meio de editais públicos, os governos estaduais firmam convênio com o Ministério para a construção das unidades PAIS. Cada unidade é pensada para atender uma família e dispõe de materiais para sua construção e insumo e animais para o inicio da produção.
Além da parceria com estados e municípios, há uma estreita relação nos territórios CONSADS com as universidades públicas federais e estaduais. A iniciativa é fruto de uma articulação do MDS com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). O objetivo é incentivar pesquisadores, professores, especialistas e alunos a desenvolverem projetos de mobilização e planejamento nos territórios.
Outra vertente que ainda está sendo articulada pelo MDS é a criação de Consórcios Públicos com personalidade jurídica de direito público, dentro da territorialidade dos atuais CONSADS. Um dos objetivos é facilitar a gestão pública em pequenos municípios e permitir que eles trabalhem em parceria e melhorem sua capacidade técnica, gerencial e financeira.
O que é a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS)?
Para fortalecer e ampliar as ações de segurança alimentar nos Territórios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) investe nas unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS).
A produção é agroecológica porque dispensa o uso de ações danosas ao meio ambiente, como o emprego de agrotóxicos, queimadas e desmatamentos. É integrada porque alia a criação de animais com a produção vegetal e ainda utiliza insumos da propriedade em todo o processo produtivo. É sustentável porque preserva a qualidade do solo e das fontes de água, incentiva a associação de produtores e aponta novos canais de comercialização dos produtos, permitindo boas colheitas.
O modelo de tecnologia social PAIS possibilita o cultivo de alimentos mais saudáveis tanto para o consumo próprio quanto para a comercialização. A unidade conta com um galinheiro na área central, três canteiros de hortaliças localizados em volta do galinheiro, além de área para pastagem.
Dessa forma, a família recebe um kit com todo o material, insumo e os animais necessários para a construção da unidade e também para iniciar a produção.
Como obter mais informações sobre os territórios?
Para mais informações é necessário entrar em contato com a Coordenação-Geral de Promoção de Desenvolvimento Local através do email: desenvolvimentolocal@mds.gov.br.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Segurança alimentar e produção orgânica
sábado, 6 de agosto de 2011
Norte e Nordeste concentram maior parte da população que não se alimenta direito e que passa fome
Publicado em novembro 29, 2010 por HC
Há 64 anos, o geógrafo Josué de Castro lançava sua obra mais importante, A Geografia da Fome, na qual fazia uma análise do problema da fome no país e sua relação com fatores econômicos, como a posse da terra. Hoje, 30 anos depois da morte do geógrafo, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a situação melhorou, mas que as regiões Norte e Nordeste ainda concentram a população que não se alimenta direito e até passa fome.
Os dados, divulgados hoje (25), são do suplemento Segurança Alimentar, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 2009. Segundo o documento, em todos os estados do Norte e do Nordeste, os domicílios estavam abaixo da média nacional de 69,8% em relação à alimentação adequada. No Norte, o percentual registrado foi de 40,3% e no Nordeste, de 46,1% dos domicílios. No Sul e no Sudeste, os percentuais foram de 18% e 23,3%.
No Norte e no Nordeste, a fome foi constatada em 9,2% e em 9,3% das residências, respectivamente, sendo que, no Maranhão e no Piauí, nem metade dos domicílios estava dentro dos parâmetros de segurança alimentar. No Sul e no Sudeste, o percentual registrado foi inferior a 3%. Dessas regiões, os moradores do Rio Grande do Sul e do Paraná são os que se alimentam melhor no país.
À época de sua pesquisa, Josué de Castro constatou que a falta de determinados nutrientes e a fome estavam ligadas às condições naturais, à concentração de terra e à renda das famílias. O IBGE também mostra que quanto menor o rendimento, maior a situação de insegurança alimentar moderada (falta de alimento nos três meses anteriores a pesquisa) ou fome.
Dos 25,4 milhões de pessoas que passavam por privação de alimentos ou não comiam quantidades adequadas de comida, em 2009, 33,2% tinham renda mensal familiar de até um quarto do salário mínimo. Com renda de até meio salário mínimo, 55% também estavam em situação de insegurança.
“As famílias que têm dificuldade de acessar a alimentação e que precisam são famílias com dificuldade de renda, são os pobres “, corroborou a presidenta da Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (Abrandh), Marília Leão.
“Apesar de sabermos que, em termos gerais, há um crescimento da renda familiar, sabemos que no Norte e Nordeste as pessoas ainda têm muita dificuldade e muitas vivem em situação de pobreza ou pobreza extrema. É um problema que vem de muito tempo”, completou Marília, que também integra o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Reportagem de Isabela Vieira, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 26/11/2010
Sustentabilidade : o fim do planeta econômico!!!!!
Dias atrás uma pessoa indagou-me: há desenvolvimento social sem crescimento econômico? Acredito sinceramente que sim. Inclusive, creio que esta seja a única maneira para se chegar ao desenvolvimento social e ambiental. Sustentabilidade só será possível se a questão econômica não se sobrepuser às questões sociais e ambientais. Será preciso implodir o planeta econômico.
As empresas deverão promover um equilíbrio em relação ao tripé da sustentabilidade. Qual é a porcentagem de empresas que está investindo nas questões sociais e ambientais, além das econômicas? Há equilíbrio do Triple Bottom Line? Existe um objetivo maior que o de obter lucro para seus acionistas? Perguntas difíceis! Não podemos chamar uma empresa de sustentável, ou socialmente responsável, se ela não tem equilibrado o seu tripé econômico, social e ambiental.
Sabemos que equilibrar balanças não é uma expertise brasileira. Basta ver a distribuição de renda neste país. Sustentabilidade é qualidade de vida. É condição mínima para que as pessoas vivam dignamente. É preservar os bens naturais em benefício da humanidade. Portanto, e definitivamente, desenvolvimento social não é crescimento econômico. Para provar isso, basta olhar para os dois principais índices, o PIB - Produto Interno Bruto, que mede a riqueza de um país e o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, que mede o quanto um país é, de fato, desenvolvido.
Somos o sétimo país mais rico do mundo! Nosso PIB cresceu 7,5% em 2010, a maior taxa desde 1985, e alcançou aproximadamente os R$3,5 trilhões. Estamos ricos! Não é bem verdade. Se dividirmos esses "trilhões" de reais por 190 milhões de brasileiros, daria o equivalente a 18.500 reais/ano, por brasileiro. Mas, para onde vai todo esse dinheiro?
Sabe-se que 16 milhões de pessoas, 8,5% da população brasileira, vivem abaixo da linha da pobreza, com rendimento menor ou igual a R$ 70 por mês. Mal conseguem atender suas necessidades básicas, como comprar comida, por exemplo. Entretanto, desde 2000, o Brasil vem crescendo economicamente, saltando da 9ª para a 7ª colocação entre os países mais ricos.
Apesar dessa riqueza toda, o IDH em 2010, colocou o Brasil na posição 73, entre 169 países. Longe dos 10 países mais desenvolvidos do mundo, como: Noruega, Austrália, Irlanda, Canadá e Suécia.
O IDH combina três dimensões: expectativa de vida, o acesso à escola e número de anos que irão estudar, e renda anual que permita a cada cidadão viver dignamente. É um índice claro e que nos ajuda a desviar o foco do crescimento da economia para políticas centradas em pessoas. Uma pena, mas desde 2001, quando o Brasil ficou na 69ª posição, não se viu nenhuma melhoria no índice de desenvolvimento brasileiro.
O pensamento econômico não pode continuar norteando a vida no planeta - muito menos no Brasil. O que é economicamente viável não pode ser o fator determinante para as empresas continuarem a produzir seus bens e serviços para conforto da vida moderna e a gerar lucro para seus acionistas. Como alertou Leonardo Boff em relação à crise terminal do capitalismo, “as pessoas no mundo não aceitam mais a lógica perversa da economia, encostamos nos limites da Terra, ocupamos, depredamos e exaurimos todo o planeta a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado”.
Portanto, sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável, é muito mais que investir em práticas de gestão que não agridam o meio ambiente. Não basta plantar árvores, separar lixo. É um novo modelo de desenvolvimento. As empresas precisarão promover uma quebra de paradigma em relação ao modelo de desenvolvimento econômico de hoje. Como fazer? Esse é o desafio!
